APRENDA A CONFIAR EM SI !!!!


Primeira regra: saiba lidar com o medo e a ansiedade. É o que diz Walter Anderson, professor de um concorrido curso sobre confiança, que pode fazer milagres pela sua auto-estima e marcar a diferença no trabalho

«O jornalista e professor americano Walter Anderson abandonou a escola aos 16 anos, tornou-se fuzileiro naval e foi para o Vietname. Quando regressou, resolveu recuperar o atraso — começou a trabalhar como jornalista, voltou a estudar e licenciou-se em Psicologia. Hoje, 25 anos depois, é editor da revista Parade, que tem a maior circulação nos Estados Unidos, com uma tiragem de 37 milhões de exemplares. A revista é encartada em diversos jornais americanos. «Eu não acredito apenas que todo o ser humano se pode transformar», diz Walter Anderson, «tenho a certeza disso. Sou o meu melhor exemplo.» Para atingir o sucesso, este jornalista de 54 anos aprendeu a lidar com o medo e a ansiedade, a aceitar críticas e a encarar com naturalidade os seus próprios erros. É justamente isso que ele ensina no curso The Confidence Course, da New School University, em Nova Iorque, desde 1994. A procura é tanta que as aulas tiveram que ser transferidas das salas normais para um anfiteatro. O sucesso transformou The Confidence Course em livro — o quarto da carreira do jornalista. Nele, Anderson mostra quais são os passos necessários para a realização pessoal.

Nesta entrevista, o professor fala sobre como superar a insegurança, saber quando chegou a hora de mudar e outros aspectos fundamentais para que todos possam encontrar o equilíbrio na vida pessoal e profissional.

O que torna uma pessoa confiante? Walter Anderson — Confiança é algo que se ganha com a experiência. E cada um de nós sabe quando está na presença de uma pessoa segura. O que ocorre, entretanto, é que uma pessoa pode ser muito confiante numa área da sua vida e totalmente insegura noutra. Vejamos o caso de um corretor, por exemplo. Diariamente, ele faz transacções envolvendo milhões de dólares com grande habilidade e confiança, baseado na sua própria experiência. Mas, se à noite lhe pedirmos para se levantar e falar diante de um grupo, ele pode ficar apavorado.

De que forma a confiança em si mesmo (ou a falta dela) pode alterar a carreira de um executivo? W. A. — A confiança é o factor determinante entre o sucesso e o fracasso. Uma pessoa segura tem mais hipóteses de obter sucesso, porque vai conviver com os erros. O sucesso é sempre algo que se segue a várias tentativas fracassadas de fazer a coisa certa. Todos, em algum momento, enfrentam o fracasso. Normalmente ficamos impressionados ao ver um atleta executar algo de forma espectacular. Mas não vemos as milhares de vezes que ele treinou para o conseguir. Infelizmente, aprendemos desde a escola a ser julgados pelos nossos erros. Se num dia você recebe centenas de palavras elogiosas e uma crítica, o que é que vai ficar na sua cabeça? Os erros são saudáveis. É necessário errar para crescer. Mas existem dois tipos de erros. Os cometidos por ambição, que devem ser encorajados. E os provocados por descuido ou preguiça, que devem ser desencorajados. Os gestores que criticam os seus empregados por terem cometido erros por ambição são os mais incompetentes e ineficientes.

É, então, preciso cometer erros. Mas será que no ambiente de trabalho competitivo isso não significa a perda de uma promoção ou até do emprego? W. A. — Antes de mais nada, você precisa decidir se está realmente disposto a trabalhar numa empresa que tenha essa mentalidade. Se sim, lembre-se também que ninguém tem um chefe perfeito. Muitos jovens esperam que o chefe seja o seu pai ou a sua mãe, o que eles não são. Você tem é que ser competente. Isso vem primeiro. Você nunca sabe o que as outras pessoas pensam ou sentem. Sabe o que elas fazem. É o que nós fazemos no mundo que importa.

Como superar a ansiedade e o medo que sentimos perante os desafios? W. A. — Medo e ansiedade são forças. Infelizmente, somos educados para acreditar que são fraquezas. Mas há uma diferença entre medo e ansiedade. Medo é uma resposta física a um perigo presente. Se uma arma está apontada à sua cabeça, você sente medo. Ansiedade provoca uma resposta física idêntica para um perigo antecipado, não um perigo real. O que vou dizer na reunião da próxima semana? Isso é ansiedade. Ninguém gosta de sentir medo ou ansiedade. Mas esses sentimentos ajudam-nos a concentrar a nossa atenção no problema e criam uma nova energia. O que fazemos com essa energia é que determina o nosso sucesso em superar essas situações. Para isso, é preciso fazer da ansiedade uma aliada.

Primeiro, entenda o que você sente; em seguida, aja. Nada cura a ansiedade mais rápido do que agir. As pessoas que se sabem relacionar são cada vez mais valorizadas.

O que é que uma pessoa tímida pode fazer para não ser prejudicada? W. A. — A primeira coisa é ter consciência de que está concentrada nela própria. O que ela deve fazer é concentrar a sua atenção nas outras pessoas. Uma das primeiras coisas que eu faço no The Confidence Course é colocar as pessoas juntas e fazer com que, em quatro minutos, elas descubram duas coisas sobre outra pessoa. A classe explode. As pessoas ficam tão interessadas nas outras que não têm tempo de ser tímidas.

Como se pode desenvolver o poder de persuasão? W. A. — Deve praticar as regras da auto-realização, que incluem assumir a responsabilidade pelos seus actos e aceitar-se como um modelo. Não há exemplo melhor que o seu próprio comportamento. Além disso, fale sempre de acordo com o interesse da outra pessoa. Essa é a diferença entre persuasão e manipulação. Você não deve querer levar as pessoas a fazer o que é bom ou mau, mas mostrar o que lhe parece correcto num determinado momento. O seu objectivo é inspirar o outro, não controlá-lo. Manipulação é controlo. Persuasão é influência.


Como lidar com a crítica? W. A. — Não critique o que não pode ser mudado. Escolha o momento e o lugar certos. Ninguém gosta de ser criticado na frente dos outros. Além disso, avalie o seu próprio humor. Seja específico e esteja lá amanhã para elogiar o que foi melhorado. Quando você é o criticado, não se concentre na crítica. Você e a crítica não são a mesma coisa. Encare-a como uma oportunidade.

Os sete passos que fazem a diferença
Ser confiante está, afinal, ao alcance de todos. Basta seguir os conselhos de Walter Anderson e não saltar nenhum dos passos que podem mudar a sua vida.
Saiba quem é o responsável. Aceite a responsabilidade pessoal no seu comportamento. Quando diz «sou responsável» pode construir uma vida nova e até mesmo um mundo melhor.
Acredite em algo grandioso. A sua vida deve mover-se por motivos nobres — ela própria já é um deles.
Desenvolva a tolerância. Vai gostar mais de si e dos outros.Seja uma pessoa forte. Lembre-se que a coragem actua com o medo e não sem ele. Se o desafio que enfrenta é importante para si, é normal que esteja nervoso.
Ame alguém. Não se concentre apenas em si. Olhe para os outros e aprenda a gostar deles. Isso vai fazê-lo feliz.Aceite a ambição.
Um simples esforço não resolve todos os problemas da sua vida nem pode concretizar todos os seus sonhos.
Acredite que se tentar pode ser ainda melhor do que já é.
Sorria. Porque mais ninguém pode fazer isso por si.
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Condensado de Você, S. A. (Janeiro de 1999). © by Editora Abril. por Luciana Magalhães